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ENTREVISTA: Professor Getúlio Subirá – uma importante página na história de Leopoldina


DA REDAÇÃO – Hoje, 27 de abril de 2015, é um dia especial para o município de Leopoldina, que comemora seus 161 anos. O VIGILANTE ONLINE inicia nesta data uma série de entrevistas com importantes personalidades de nossa terra. Ao fazê-lo, consideramos esta primeira entrevista como uma homenagem a Leopoldina por ocasião da comemoração de sua emancipação política. Queremos também homenagear as figuras que deixaram sua marca na história da cidade. A escolha do primeiro entrevistado simboliza nosso reconhecimento, admiração e gratidão por tudo que ele fez ao longo de 33 anos dedicados à formação de milhares de jovens ao longo de sua vida profissional. Nosso primeiro entrevistado é o Professor Getúlio Subirá, que gentilmente nos recebeu em sua residência para a entrevista.

Foto: O Vigilante Online.

Filho de José Subirá (lavrador) e Rodriga Roque, Getúlio Subirá nasceu em Cerqueira César, estado de São Paulo, no dia 25 de outubro de 1930. “Nestas alturas do meu nascimento, eu era o caçula de seis irmãos, nós já morávamos na cidade e meu pai era comerciante, do setor de secos e molhados”, revela nosso entrevistado. Dos seus cinco irmãos, apenas uma irmã encontra-se viva, moradora em Campinas, São Paulo.

  “Quando saí para estudar em Ourinhos, no estado de São Paulo, tinha 14 anos. Estudei também em Avaré, onde cursei o ginasial e depois fui estudar no Rio de Janeiro. Nesta altura nem imaginava que existia Leopoldina”, comenta o Professor em meio a um sorriso, acrescentando que foi para o Rio de Janeiro para estudar e trabalhar. Iniciou os estudos mas teve que parar e começar a trabalhar.

Matriculou-se numa escola de comércio, “depois eu fui para um Banco, filial do Banco Cruzeiro do Sul de São Paulo, trabalhei no Banco e depois comecei a estudar outra vez”, relata com seu estilo inconfundível enquanto aproveitávamos para fotografá-lo.

Com tranquilidade, como se estivesse assistindo ao filme de sua vida, Getúlio Subirá relembra: “Fiz vestibular, passei e frequentei naturalmente a Escola Nacional de Educação Física da Universidade do Brasil. Eu fiz quatro anos de faculdade. Na ocasião em que eu estudei ela era localizada no bairro de Botafogo, no Rio de Janeiro, depois ela foi transferida para a Ilha do Governador.”

Professor Getúlio nos tempos de faculdade no Rio de Janeiro.

A porta de entrada

PROF. GETÚLIO – “Em 1956 o Esporte Clube Ribeiro Junqueira estava precisando de um técnico. O Madureira fez uma excursão por aqui e a diretoria do Ribeiro Junqueira pediu ao técnico do Madureira se ele tinha algum técnico que pudesse indicar pra Leopoldina”.
O VIGILANTE – Neste ponto da entrevista o Professor esclareceu que não veio nesta excursão, e prossegue.
PROF. GETÚLIO – “O técnico do Madureira era meu amigo, chegou no Rio de Janeiro, me falou, eu vim a Leopoldina, conversei com a diretoria mas não fechamos negócio. Eu voltei pro Rio de Janeiro. Passado algum tempo eles foram atrás de mim lá no Rio de Janeiro. O presidente do Ribeiro Junqueira era o Dr. Roberto Junqueira, aí acertei com eles por um período de experiência. Aí eu vim pra Leopoldina no dia 9 de junho de 1956.”

O VIGILANTE – Pelo que o senhor nos conta o Ribeiro Junqueira naquela época era quase um time profissional?
PROF. GETÚLIO – “O Ribeiro Junqueira era como a gente dizia na época: profissional marrom, porque os jogadores ganhavam pelo clube e trabalhavam.

O VIGILANTE ONLINE – Mas o Ribeiro Junqueira estava no auge…
PROF. GETÚLIO – “Ele era Bi-Campeão da Zona da Mata. Eu entrei em 1956, conseguimos levantar o título e fomos tri-campeões da Zona da Mata.”

Em 1957 Getúlio Subirá conduziu o time do Ribeiro Junqueira no histórico jogo do Maracanã no amistoso com a equipe da Tyresoles Mineira, antes do jogo da Seleção Brasileira de futebol contra a Seleção do Peru, pelas eliminatórias da Copa do Mundo. O Ribeiro Junqueira venceu pelo placar de 2 a 1. O Brasil ganhou de 1 a 0, gol de Didi cobrando falta. Sobre este episódio Getúlio contou que “foi uma das maiores emoções do Ribeiro Junqueira, e pra mim também não é?” (risos). “Nós tínhamos levantado o título, nós eramos tetra-campeões da Zona da Mata, um título que levou o Ribeiro Junqueira às alturas no futebol da Zona da Mata.”

O VIGILANTE – O senhor se recorda da reação da torcida em relação ao Ribeiro Junqueira?
PROF. GETÚLIO – “Excelente. O uniforme do Ribeiro Junqueira era exatamente igual ao do Flamengo e o uniforme da Tyresoles era exatamente igual ao do Vasco da Gama, então era uma preliminar com camisas do Vasco e do Flamengo. A torcida maior era do Flamengo e naturalmente simpatizou com o Ribeiro Junqueira e a outra simpatizou com a Tyresoles, e nós demos sorte, jogamos muito bem, tudo deu certo pra nós e acabamos ganhando o jogo.”

    Getúlio e Getúlio

O VIGILANTE – Quando o senhor estava no Rio de Janeiro o senhor conheceu Getúlio Vargas. Eu queria que o senhor comentasse sobre a história do seu nome.
PROF. GETÚLIO – “Meu nome Getúlio Subirá, nome de família, meu pai se chamava José Subirá. Com este nome eu fui morar no Rio de Janeiro e na ocasião da eleição do Getúlio os jornais comentaram a respeito e procuraram saber se realmente eu existia, onde é que eu estava, que eles não conseguiam localizar. Os jornais faziam comentários porque meu nome constava na lista do Diário Oficial. O pessoal achava que era propaganda, se era propaganda não podia ficar no Diário Oficial. O meu nome saiu no Diário Oficial como eleitor daquela determinada Zona Eleitoral onde eu votei, mas a imprensa achava que era uma propaganda e se era propaganda não podia constar do Diário Oficial. Se está no Diário Oficial esta pessoa tem que existir, ela tem que ser localizada. E isso demorou vários dias pra que eles me localizassem. Quando eles me localizaram fizeram a propaganda de que eu existia realmente, tiraram fotografia e tal. E o Getúlio Vargas e o filho dele quiseram me conhecer, aí ficou fácil pra eu conhecer o Getúlio Vargas.”

O VIGILANTE – O senhor foi ao Palácio do Catete?
PROF. GETÚLIO – Eu fui ao Palácio lá em Petrópolis, o Palácio Rio Negro.

     O VIGILANTE – A convite do Presidente?
PROF. GETÚLIO – “A convite do Presidente eu fui na casa dele. Ele morava no Morro da Viúva, no Rio de Janeiro e depois eu fiz amizade com ele. Eu pedi um emprego pra ele, ele me deu, eu não aceitei.” (risos). “Depois eu pedi um emprego pra ele, diretamente eu fui conversar com ele, ele me deu o emprego e eu aceitei. O bacana é que ele mandou um cartão pra mim agradecendo pelo trabalho que eu fiz pra ele no período das eleições. Eu fiz muita propaganda por causa do nome de Getúlio Subirá, ele era candidato a presidente. Eu nem sabia, tava lá e os jornais fazendo a propaganda.”

O VIGILANTE – O senhor estava no Rio quando ele morreu?
PROF. GETÚLIO – “Estava no Rio de Janeiro quando ele morreu. Eu estava fazendo uma prova quando veio a notícia de que ele havia falecido. Interessante, a prova constava de dez itens. Eu respondi seis itens e passei a responder o sétimo e veio a notícia de que ele havia falecido. Eu não respondi mais nenhuma, não tive cuca pra responder as outras perguntas.”

O VIGILANTE – A esta altura o senhor já tinha estado em Leopoldina?
PROF. GETÚLIO – “Não, não.”

O VIGILANTE – O senhor chegou a conhecer Carlos Luz?
PROF. GETÚLIO – “Cheguei a conhecer o Carlos Luz aqui em Leopoldina.”

Do Ribeiro Junqueira para o Ginásio

O VIGILANTE – Quando o senhor veio para trabalhar no Ribeiro Junqueira em Leopoldina o senhor já era professor de Educação Física. Como o senhor teve contato com o Ginásio?
PROF. GETÚLIO – “Quando eu combinei para ingressar no Ribeiro Junqueira eu impus condição, porque eu vim para o Ribeiro Junqueira e fui trabalhar na Praça de Esportes, mas com a promessa de assumir a cadeira de Educação Física do Ginásio. Então, em 1º de março de 1957 eu fui ser professor de Educação Física no Ginásio. Até 1989.”

Foto: O Vigilante Online.

Getúlio Subirá casou-se em 12 de dezembro de 1959 com Maria José Junqueira Subirá, Dona Zezé. Da união o casal teve três filhos: Rinaldo, hoje médico em Itaúna, perto de Belo Horizonte; Rodriga, fonoaudióloga, mora em Leopoldina; e a caçula Rosana, bióloga, que mora em Brasília e trabalha em Brasília e Manaus. O casal Getúlio e Zezé tem cinco netos.

O VIGILANTE – Quando o senhor conheceu Dona Zezé?
PROF. GETÚLIO – “Eu fui dirigir a Praça de Esportes e ela jogava voleiball na Praça de Esportes, era aluna do Ginásio. Em seguida, eu passei a Educação Física do Ginásio para a Praça de Esportes, então as moças e os rapazes faziam educação física onde eu trabalhava. Naquela época, a Praça de Esportes era onde localiza-se hoje o campo do Ribeiro Junqueira e onde é a Casa Mattos. Aquele quarteirão todo era a Praça de Esportes de Leopoldina, Praça de Esportes do Estado. A entrada principal ficava na Rua Piacatuba, hoje Rua Coronel Olivier Fajardo.”

O VIGILANTE – Alguma passagem da sua época de Praça de Esportes que o senhor gostaria de compartilhar conosco?
PROF. GETÚLIO – “A inauguração da piscina. Foi em 1971. O Ginásio tinha dois jornais, duas equipes, então eu fiz uma competição entre as duas equipes na inauguração da piscina do Ginásio. As equipes tinham que colocar o maior número de moças ou de professoras no local, no ambiente da piscina. Não precisava entrar na piscina propriamente dita. Então nós conseguimos colocar mais de duzentas pessoas, mulheres, dentro do ambiente da piscina ali no Ginásio. Pra coroar a nossa festa de inauguração o Monsenhor Guilherme rezou uma missa, o prefeito teve lá. Nós colocamos só um homem dentro da piscina que foi o professor Geraldo Bertochi, aí ele se sentiu muito importante, dentro da piscina rodeado de mulheres pra todos os lados. E em seguida fizemos aquelas competições, aquelas Olimpíadas, então muito bacana. Os jovens não tinham isso. Fizemos as Olimpíadas, movimentamos todos os setores esportivos de Leopoldina pra que fosse bem sucedida e realmente foi.”

O VIGILANTE – Esta piscina do Ginásio foi a primeira piscina olímpica de Leopoldina?
PROF. GETÚLIO – “Não. A Praça de Esportes antiga tinha uma piscina e era olímpica também.”

Leopoldina

O VIGILANTE – Em relação à Leopoldina da época áurea em que havia uma fábrica que era a grande geradora de empregos, tínhamos uma força política considerável, o Ribeiro Junqueira também um expoente, o Ginásio Leopoldinense que apesar de hoje ainda ser uma grande escola mas naquele período na década de 1950 ele estava mais próximo dos áureos tempos da Athenas da Zona da Mata, na primeira metade do século XX. Como o senhor analisa Leopoldina?
PROF. GETÚLIO – “Leopoldina teve tanta coisa boa. Se você for analisar, se você for citar, você vai ver tantas coisas. Tinha campo de aviação, tinha o Clube Leopoldina, a ferrovia, tinha o Ribeiro Junqueira, aqui tinha uma Orquestra, a Leopoldina Orquestra, que saía para tocar nesta redondeza toda, era famosa. O corpo de médicos de Leopoldina era famoso no Brasil todo. O Ginásio tinha aluno até de Belém do Pará que vinha estudar aqui. E estas coisas foram acabando a gente sente, não tem mais. Leopoldina tinha uma linha de avião que fazia Rio de Janeiro, Leopoldina, Ponte Nova, Belo Horizonte/Belo Horizonte, Ponte Nova, Leopoldina, Rio de Janeiro. Acabou sem explicação. Tinha uma Escola Parque, tinha uma Praça de Esportes do Estado, o Banco Ribeiro Junqueira, e por aí vai.”

Professor Getúlio Subirá e o repórter José Augusto Cabral. Foto: O Vigilante Online.

O VIGILANTE – O senhor falou do grande Corpo Médico de Leopoldina. Eu não tenho nem palavras pra definir a qualidade dos professores. O senhor conviveu com eles.
PROF. GETÚLIO – “Uma série de professores, cada um melhor do que o outro.”

O VIGILANTE – Como foi a convivência com estes professores?
PROF. GETÚLIO – “Quando eu ingressei no Ginásio foi difícil, porque eu era jovem com uma mentalidade de jovem e o Ginásio só tinha professores mais idosos, com outra mentalidade. Eles pensavam e agiam à maneira deles. Pra eles, eles estavam certos e eu, professor jovem, com outra mentalidade, pensava também de maneira diferente. Batia com o que eles pensavam. Foi difícil. À medida que o tempo foi passando o Ginásio foi adquirindo, vamos dizer assim, professores mais novos, então a mentalidade também foi mudando. Professor Átila, o Geraldo Bertochi estava na intermediária – nem era velho, nem era novo. O professor Alziro tinha sido diretor do Ginásio, o Ginásio era particular e passou em 1956 para o Estado, aí o Monsenhor Guilherme é que ficou como diretor. O professor Alziro trabalhou muito tempo no Ginásio na época em que havia internato. O professor Alziro era muito querido pelos alunos daquela época.”

O VIGILANTE – Professor, o senhor sempre morou aqui na Mina de Ouro?
PROF. GETÚLIO – “Não, eu casei, morei na Rua Tiradentes de baixo, aquela parte que vai para a Igreja do Rosário. Morei ali cinco anos. Construí esta casa e mudei pra cá em janeiro de 1965.”

O VIGILANTE – O senhor a vida toda gostou de ter veículos da marca Ford Corcel. Por que?
PROF. GETÚLIO – “Quando eu adquiri um carro Corcel eu precisei de um mecânico e o mecânico foi o Coelho, em 1971. Naquela época existiam os mecânicos da Ford, os mecânicos da Chevrolet, os mecânicos da VolksWagen, e o Coelho me surpreendeu pela capacidade, pela honestidade e pela eficiência de trabalho dele, então quando eu ia comprar um outro carro eu pesava essa competência dele pra continuar dando assistência pro meu carro. Se eu mudasse de marca eu teria que mudar de mecânico. Eu continuei, mais por força do mecânico que era muito competente, e é até hoje.”

A aposentadoria

O VIGILANTE – Quando o senhor se aposentou foi difícil se enquadrar na rotina? O senhor sempre foi uma pessoa muito ativa, como foi esta passagem?
PROF. GETÚLIO – “Eu sabendo como era a situação eu fui estudando e me preparando para quando eu aposentasse não sentisse aquela mudança como normalmente eu via os meus companheiros sentirem. Eu não senti diferença nenhuma porque eu estava preparado pra ficar aposentado.” (Neste momento, o professor Getúlio deixa transparecer forte emoção e fica em silêncio por breves instantes).

Foto: O Vigilante Online.
O VIGILANTE – O senhor é muito querido por gerações de alunos do Ginásio, consequentemente por todas estas famílias. O senhor tem consciência da sua importância para todas estas pessoas?

PROF. GETÚLIO – “Tenho. Eu procurei dar o meu melhor na época para cada um, mas eu estudava muito, eu tinha muito interesse em aprender. Eu continuo estudando até hoje. Então, na época, a evolução das coisas era muito rápida, você tinha que estar atualizado para manter a competência senão você ficava pra traz. Aí no que eu estudava, eu aprendia as coisas novas e ficava fácil pra eu lidar com os alunos e com a família desses alunos.”

         O VIGILANTE – Depois que os anos passaram, que o sr. aposentou, o senhor já voltou à Praça de Esportes.
PROF. GETÚLIO – “Voltei, mas a experiência foi altamente negativa.”

O VIGILANTE – O senhor gostaria de comentar ou prefere não falar?
PROF. GETÚLIO – “Olha, eu voltei lá pra Praça de Esportes três vezes, as três vezes eu saí de lá chorando, então a experiência foi altamente negativa.”

O VIGILANTE – Saudade professor, que o senhor sentiu, ou decepção?
PROF. GETÚLIO – “Não, porque ela foi deteriorando e não cuidaram como devia ser cuidada, tanto que com a minha saída a piscina ficou seis anos paralisada, eles não arrumaram.” (Neste momento, emocionado, pede que a gravação seja interrompida).

O VIGILANTE – Depois que o senhor se aposentou o senhor teve uma passagem como diretor da Rádio 104. Como surgiu esta oportunidade e como foi esta experiência?
PROF. GETÚLIO – “Eu era muito amigo do Sérgio Naya, muito amigo do Luiz Carlos Naya, e eles ficaram de uma hora pra outra sem um gerente. Eles me convidaram e eu aceitei. Não entendia absolutamente nada de rádio, mas entendia como lidar com as pessoas, então acabou ficando fácil pra mim, porque eu fui lidar com rapazes da Rádio que tinham sido meus alunos. Lidar com pessoas, pra mim era fácil, mas eu não entendia nada de Rádio. Então, os rapazes que trabalhavam lá, eles eram consultados e a gente verificava o que era de melhor pra nós naquele momento e botava pra funcionar em cima.”

Foto: O Vigilante Online.

O VIGILANTE – O senhor teve que se submeter a cirurgias cardíacas. Como foi esta experiência?
PROF. GETÚLIO – “O meu problema de coração é de nascença. Eu tenho duas válvulas, enquanto eu deveria ter três. Estas duas, naturalmente, cansaram mais rapidamente do que as três que eu deveria ter. Então, eu fui submetido a uma operação em fevereiro de 1997. Botei uma válvula de porco pra compensar a falta de uma válvula que eu nasci sem ela. Dez anos depois eu fui obrigado a trocar novamente a válvula.”

O VIGILANTE – Isso mexeu com o senhor?
PROF. GETÚLIO – ‘Mexeu profundamente. Eu tive infecção hospitalar e as notícias que corriam em Leopoldina vindas de Belo Horizonte eram de que eu não passaria daquele dia ou daquela semana. Eu estava, como se diz na gíria, “na tábua da beirada”. Mas dei sorte, consegui recuperar, mas mexe com a pessoa tanto física quanto mentalmente.”

O VIGILANTE – Todo dia quando o senhor acorda, depois deste susto, é uma maravilha não é?
PROF. GETÚLIO – (Longo sorriso) “É uma maravilha. Depois disso, quando eu acordo, uma das primeiras coisas que eu faço é agradecer a Deus por estar vivo.”

Dia a dia

O VIGILANTE – Professor, como é a sua rotina? Em qual horário o senhor se levanta, em qual horário dorme?
PROF. GETÚLIO – “Nossa rotina é fácil. Eu levanto entre seis horas e seis e meia, todo dia. Eu é que faço o café, preparo pra minha mulher, quando ela levanta tá tudo pronto. A rotina agora é essa. Caminho com minha esposa todas as manhãs, na volta eu costumo trabalhar um bocado no computador, faço meus exercícios próprios pra minha faixa etária, exercícios próprios pra minha situação atual, almoçamos em casa todos os dias às onze horas da manhã, aos sábados almoçamos fora, leio muito.”

O VIGILANTE – Assiste Televisão, gosta de assistir?
PROF. GETÚLIO – “Só jogo de futebol, não assisto televisão. Normalmente quem assiste é minha mulher. Fico no computador algum tempo, trabalho no quintal, faço a minha ginástica na parte da tarde e vamos pra cama entre nove e nove e meia todos os dias.”

Professor Getúlio no quintal de sua casa. Foto: O Vigilante Online.

O VIGILANTE – O senhor falou de computador, então o senhor já está integrado à nova tecnologia da internet?
PROF. GETÚLIO – “Ah, já. Há muito tempo. Mantenho contato com muitos sobrinhos de fora, recebo muitos emails, passo emails, todos os dias estou recebendo e mandando pra eles. Estudo, continuo estudando pela internet e tenho muitos livros por aí. Tô procurando fazer um curso sobre a mente, sobre o subconsciente.”

Professor Getúlio em visita à sua cidade natal, Cerqueira Cesar, no interior de São Paulo.

O VIGILANTE – O senhor viaja também pra visitar os filhos?
PROF. GETÚLIO – “Ah, sim. Toda oportunidade de férias dos estudantes que eles vão pra casa dos pais nós vamos pra lá também pra estar com eles. E viajamos. Todo ano a gente viaja pra Campinas onde tenho uma irmã, muitos sobrinhos.”

Considerações finais

O VIGILANTE – Gostaríamos que o senhor enviasse uma mensagem à população de Leopoldina, aos jovens de hoje que não lhe conheceram e passaram a lhe conhecer um pouco através desta entrevista, àqueles que foram seus alunos, àqueles que são pais de alunos, aos seus colegas de trabalho, hoje ex-colegas de trabalho.
PROF. GETÚLIO – “Aos meus alunos, aos meus ex-alunos, agradecer pelo tempo que eu tive contato com eles, que foi muito bom pra nós. Aos pais dos alunos que souberam orientar os seus filhos na época em que eles eram estudantes, na época de adolescência que é uma época muito difícil de lidar com o jovem, dizer pra todos eles que eu sempre fui grato pela experiência que eu tive o tempo todo com eles. Eu sinto saudade dessa época. Eu diria pra você o meu obrigado humilde, mas de todo coração a todos estes que hoje já não são mais jovens, já são pais também, já são avós, eles me deram muita alegria, muita felicidade eu tive na época em que a gente mantinha um contato constante. Eles foram bons na minha vida, eles preencheram a minha vida de uma maneira feliz. Sou eternamente grato por isso.”

O VIGILANTE – Estamos chegando ao final desta entrevista. O senhor gostaria de acrescentar algo?
PROF. GETÚLIO – “Gostaria. Gostaria de dizer que eu trabalhei 33 anos no Ginásio, eu tive muita sorte. Eu não tive um problema com nenhum aluno durante o tempo que eu estive lá. Todos eles sempre me respeitaram, no ambiente de trabalho, fora do ambiente de trabalho, eu sempre fui respeitado, mas em primeiro lugar eu respeitava o aluno que estava em formação, da melhor maneira possível. Trabalhei no Ribeiro Junqueira várias vezes, nunca tive um problema com nenhum jogador. Nunca nenhum jogador me aborreceu. Fui muito feliz esse tempo todo que eu tive no Ribeiro Junqueira e o tempo todo que eu tive no Ginásio. E olha, foram 33 anos lidando com aquela mocidade, aquela rapaziada em fase de adolescência que não é fácil você lidar com eles da maneira que nós trabalhamos. Eu dei muita sorte, eu fui muito feliz nesse sentido, tanto no Ginásio quanto no Ribeiro Junqueira. E posso te acrescentar que os poucos anos que eu trabalhei na Rádio também foram a mesma coisa.”

O VIGILANTE ONLINE. Entrevista concedida a Júlio Cesar Martins e José Augusto Cabral.

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