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ENTREVISTA: Sérgio França relembra momentos que marcaram sua vida e a história de Leopoldina


A série de homenagens de O VIGILANTE ONLINE às personalidades de Leopoldina, recebe em sua galeria o ilustre professor Sérgio Domingues França.

Entrevista concedida a Júlio Cesar Martins, Júlio Cabral e José Augusto Cabral. 

Apresentação

 Filho do casal Otto Lacerda França e Arminda Domingues França, Sérgio França nasceu às 02h30 da manhã do dia 18 de dezembro de 1931, na Praça General Osório, centro de Leopoldina. Aos 83 anos, bem humorado, ele brinca: “Caminhando para 84 com projeto aprovado para 90”, e sorri, convidando-nos a entrar em sua residência no bairro Vale do Sol, local escolhido para a realização da entrevista. O professor nos leva em direção a um quadro na parede da sala de visitas. Aponta para a tela (foto) e dispara, emocionado: “Naquela casa chorou pela primeira vez uma criança, que na pia batismal recebeu o nome de Sérgio”. O imóvel está localizado na esquina das ruas Barão de Cotegipe e Plóbio Côrtes de Paula. 

Sobrinho de Osmar Lacerda França (Liliu) e Enéas França, ambos farmacêuticos e políticos em Leopoldina, Sérgio França teve quatro irmãos: Marly, Heleno, Hélcio e Nice, todos já falecidos. “Fui casado com Maria Edite Barbosa França, já falecida. Nossos filhos: Marcus Vinicius, produtor do cantor e compositor Chico Buarque, já foi diretor do Flamengo na gestão do presidente Márcio Braga; Denise, que hoje mora em Leopoldina, e o Serginho, casado com a Filomena Gorrado. Sou casado em segundas núpcias com Juscélia Corrêia de Almeida, que é Professora e coordenadora pedagógica na Escola Municipal Osmar Lacerda França. Tenho bisnetos, sou bisavô, jovem, jovem. Cinco netos e dois bisnetos”, esclarece-nos Sérgio França, acrescentando: “Vocês já começaram a provocar saudade. E a saudade, automaticamente convoca as recordações. E é muito bom isso. Estou muito feliz falando com vocês aqui, muito alegre e satisfeito, podem fazer quantas perguntas quiserem. “

O casal Otto Lacerda França e Arminda Domingues França, pais de Sérgio França.
Sérgio França e o Dr. Hélio França.

JCM – O senhor nasceu e cresceu numa fase áurea de Leopoldina. Que análise poderia fazer a respeito da Leopoldina de ontem e de hoje?

SF – Fazendo essa análise da minha cidade, eu farei uma análise científica da tecnologia. É você comparar. Por exemplo, quem evocava muito isso era o professor Hudson, de saudosa saudade. Dizia ele que na reencarnação dele, se ele voltasse: “Se eu voltar à Terra quando eu falecer, se eu puder fazer uma opção eu quero vir antes da televisão e antes do Maracanã. São dois mundo diferentes que eu vivi, do futebol, da política, do mundo social”.

“O grande perigo da aposentadoria é a ociosidade mental. Hoje eu faço palestras em três Centros Espíritas, considero a literatura espírita muita rica. Com todo respeito às outras religiões. Então isso me obriga a estudar e não parar, não me acomodar, não atrofiar.”

Então, nós dessas gerações, somos privilegiados. Porque vocês, dessa geração de hoje, não conheceram o mundo antes, pré televisão, não é verdade? Nós vivemos pré televisão e estamos vivendo agora a televisão e poderíamos chamar de pós televisão. Nós vivemos na época de dançar com o rosto colado, com a Leopoldina Orquestra por exemplo. Vocês hoje, com todo respeito, dão soco à meia distância, o pugilismo à meia distância. Vocês não esperam o cinema apagar a luz, começar o filme pra sentar perto da namorada que estava guardando o lugar pra você. Você ia ao cinema com o lugar guardado, e muitas vezes ao baile no clube a mãe ia junto com a filha. Você não ficava com ela durante o baile, você a tirava pra dançar, acabava aquela música você podia continuar conversando com ela no meio do salão, ou dentro do salão, mas você não saia do clube com ela. Só tinha uma vantagem naquela época, havia mais calor humano, porque você podia dançar de rosto colado. Também é o seguinte, havia mais mensagem nas músicas, era mais romantismo, automaticamente você tinha uma reação em seu foro íntimo diferente de hoje. Eu não culpo nada, eu não sei se é melhor ou se é pior, cada um tem a sua época, não é? Eu sempre falo com os meninos aí, que no Jardim (referindo-se à praça Félix Martins que era conhecida como Jardim), tinha uma árvore que a gente chamava de Árvore do Beijo, era uma árvore frondosa. Ali o namorado beijava a namorada e saía andando depressa pra dar lugar pro outro casal de namorados que já vinha atrás. Na sala de aula eu contava isso e tinha alunos que morriam de rir. Mas você fez aquela pergunta sobre Leopoldina. A diferença é muito grande. Você pode medir essa diferença. Na Praça Félix Martins tinha dois hotéis, Hotel Gomes e Hotel Santos. Os viajantes vinham normalmente de trem, porque não havia os recursos rodoviários que existem hoje, sentavam nas calçadas. Você ia brincar na Cotegipe, você descia a Cotegipe à noite, os casais – todas as casas – estavam com cadeiras na calçada, conversando. Porque hoje você está vendo televisão, mas havia mais comunicação naquela época, havia mais comadres que hoje. Hoje o número de comadres diminuiu bastante, porque era muito comum você ouvir “ô minha comadre”, “aquela vai ser minha comadre”. Hoje você não vê mais falar em comadre. É raro você ver uma pessoa chamar a outra de comadre. Naquela época este era um tratamento de alto nível, de muita sensibilidade, de muito respeito.

      JCM – Nesse contexto, Leopoldina era “a cidade”…

SF – Era considerada a Athenas da Zona da Mata, o mundo cultural de toda região. Vinha gente do Rio de Janeiro, da Bahia, do Sergipe. Eu tinha um colega de Sergipe, veio estudar aqui. Existe até um slogan: Em todo recanto do Brasil há sempre um brasileiro que se educou no Colégio Leopoldinense.

JCM – Nós atraímos o Augusto dos Anjos pra cá…

SF – E muitos outros. João Lyra Filho, por exemplo, foi até paraninfo da minha turma na quarta série, estudou em Leopoldina. Veio do Rio de Janeiro para estudar aqui. Agora, você pode imaginar que alguém viesse de Sergipe pra estudar em Leopoldina? Era porque a coisa realmente era difundida. E naquela época a comunicação era difícil, coisa rara. Eu lembro que eu esperava o trem chegar pra ir ao correio apanhar o jornal, o assinante recebia o jornal no dia seguinte. Outro detalhe interessantíssimo, já que você está falando sobre a Leopoldina moderna e antiga é que às seis horas da tarde os funcionários da Companhia Força e Luz Cataguazes-Leopoldina tinham um bambu próprio, vinham e ligavam as lâmpadas; iam ligando as lâmpadas na rua. Às seis da manhã, o inverso, eles vinham pra desligar. Era época que se jogava bilosca nas calçadas. Vinha do grupo, fazia os deveres e ia jogar bilosca. Você brigava pra trazer os cadernos das professoras em casa. As professoras tinham lá aquele monte de caderno, aquela bolsa grande, então os alunos brigavam pra trazer aquilo. Havia um respeito muito grande, entendeu? Estudava-se também, estudava-se de verdade. Eu achava muito mais apertada a coisa do que hoje. Hoje, é lógico, facilitou demais. Hoje você tem aí livros à vontade. Naquela época era raro você conseguir um livro, pedir um livro emprestado, ia nas bibliotecas. Eu aprendi, antes de iniciar minhas atividades no magistério, com o professor Lauro de Oliveira Lima, que eu considero uma das grandes autoridades da área educacional brasileira, que o aluno não gosta da matéria. O aluno gosta é do professor. Então a primeira coisa que você deve fazer é conquistá-lo, trazê-lo a você, para ele ter vergonha depois de não fazer nada daquilo que você solicitar. Então ele sendo seu amigo ele passa a ter disciplina perfeita e o aproveitamento pedagógico também perfeito. Porque ele se acanha, forma uma amizade. Eu hoje, por exemplo, confesso a vocês que tenho uma fortuna na vida. Quem estudou comigo, sorri pra mim. Isso não tem preço. Eu tenho uma passagem, há pouco tempo, quatro meses ou cinco, diante do antigo Banco Ribeiro Junqueira, hoje Banco Itaú, na Praça General Osório me encontrei com uma senhora que foi minha aluna, e que estava acompanhada de uma filha moça. Ela falou: “Professor, quero te apresentar aqui minha filha”. E a moça falou: “Ah professor, mamãe fala tanto do senhor, eu já conheço tanto o senhor”, aquela coisa toda. E a minha ex-aluna, mãe dessa jovem, me disse: “Quando o senhor entrava em sala, todos nós tínhamos vontade de lhe dar um beijo e não podia, mas hoje eu vou te dar um beijo, e me beijou na testa”. Você sabe que as lágrimas correram em meus olhos, de emoção (neste momento o professor faz uma pausa e alguns instantes depois prossegue), daquele beijo que eu ganhei. Isso não tem preço. Você conquista isso. Então a vida toda é assim, a vida toda é amor. Tudo que você fizer, faça com amor, respeito, e acabou. Fica tudo fácil, o mundo fica fácil assim, mais fácil.

       JC – Uma vez o Sr. me mostrou que nas proximidades do Banco Bradesco em Leopoldina ainda tem no chão uma peça onde o pessoal amarrava o cavalo…

SF – Tem uma marca, uma argolinha até hoje. Ali, chumbado no meio fio uma argola onde se amarrava animal ali. Pouca gente sabe disso. Sabe quem mandou chumbar aquilo? Meu pai. Nós recebíamos as visitas de muitos parentes que visitavam meu pai e minha mãe. Vinham sempre a cavalo, charrete, então papai chumbou aquilo pra amarrarem os animais. Isso é um lado histórico da cidade. Amarrar os animais em casa. Onde é o Hotel Ritz era minha residência.

JAC – Onde o Sr. se formou e quando virou professor?

SF – Eu fiz o curso de Pedagogia, inicialmente, na Faculdade Santa Marcelina em Muriaé. Por que eu fiz Pedagogia? Porque eu me tornei funcionário do Ministério da Educação e Cultura, como Técnico em Assunto Educacional. Então eu precisava também de um título pedagógico superior para o exercício dessa função. Consegui a Pedagogia. Terminada a Pedagogia eu me interessei muito por Inglês, fiz o curso de Letras. Terminado Letras, foi passando o tempo, a gente vai amadurecendo, e poucas pessoas em Leopoldina têm conhecimento disso que eu vou lhes contar, eu fiz Direito. Sou formado em Direito também. Em Juiz de Fora, no Viana Júnior. Aí você me pergunta: Por que você não exerceu professor? Por questão política. Eu não podia advogar se eu estava envolvido em política. Eu achava que eu ia te contrariar e ia perder o seu voto, entendeu? (Risos). Então tornou-se difícil pra mim o exercício da advocacia. Fiz esses três cursos superiores, tirei a vantagem prática, prática mesmo, foi da Pedagogia e Letras. Depois eu ganhei uma bolsa de estudos, fui fazer um curso também na Europa, em 1970, estive em Londres e depois eu voltei.

JCM – Por que o senhor entrou na política?

        SF – Na minha época eu achei que não havia representantes em Leopoldina. Então o Liliu, prefeito e meu tio, no primeiro mandato, ele achava que eu devia me candidatar e foi indo assim, e Leopoldina não tinha candidato nenhum. Tive uma votação muito boa, uns 18 mil votos, e fui pra Belo Horizonte, me levaram pra BH. O governador era Tancredo. Depois me candidatei novamente, mas o índice eleitoral subiu muito, o coeficiente, e tive uma votação muito boa, assim mesmo fui levado pelo governo Newton Cardoso em Belo Horizonte.

Eu trabalhei no relacionamento político, muito grande, muitas amizades. O Zé Aparecido de Oliveira, candidato a deputado federal eleito, amigo nosso, amigo de Leopoldina. Continuei assim, acho que tá no meu sangue, gosto, mas a política modificou demais com relação aquela época, mudou muito, você não vê mais comício. O nosso capital naquela época era a palavra, o discurso, o capital financeiro, a praça enchia, você não precisava levar conjunto, o povo vinha.

O Secretário de Administração do Estado de Minas Gerais, Dr. José Gomes Domingues, Secretário da Educação, Sérgio França e Marcelo Barroso Domingues, ao entregarem o Plano de Leopoldina. Foto de 1972.

Aqui em Leopoldina, em nossa residência na rua Presidente Carlos Luz, conversando na varanda, Tancredo me falou: “Ô França”, assim nestes termos, “Estão acabando os oradores políticos românticos. Mantenha sua oratória romântica”. Eu fiz seis comícios com ele: Além Paraíba, Volta Grande, Estrela Dalva, Pirapetinga, Recreio, fechamos em Leopoldina. Eu já me considerei um bom orador, de sacudir e levantar massas. 

          JCM – Eu me recordo que o senhor esteve à frente da primeira greve dos professores da rede estadual de ensino em Leopoldina, percorrendo as ruas da cidade. A greve parou o Estado.

SF – Eu discursei na Catedral, fiz um discurso dentro da igreja mostrando o motivo e o porquê da greve. Estávamos fazendo uma grande reivindicação, de direito. O professor não ganhava nada, até hoje é muito pouco. Foi o primeiro movimento grevista em Leopoldina. Foi um movimento muito bonito, de alto nível, sem bagunça. Outro detalhe foi quando passei no concurso em Belo Horizonte para ser professor aqui. Você tinha que dar aula para as carteiras como se tivesse aluno na sala. Havia três avaliadores para avaliar o meu procedimento pedagógico, aquilo ali pra mim foi difícil. Hoje o sistema é outro, aquilo ali era muito difícil, um dos grandes momentos que vivi.

JC – Hoje com os avanços tecnológicos há uma transformação no ensino-aprendizagem, o senhor formou gerações, como o senhor vê a escola nos dias de hoje?

SF – Eu vou puxar um pouquinho atrás na história. Quando ganhei essa bolsa de estudo fui à Europa. Eu não tinha conhecimento ainda de aula com projeção, então achei que ficava muito fácil a aula com projeção. Você projetava e comentava aquilo que estava projetado. Hoje faço muitas palestras com projeção. Através das projeções ficava muito mais fácil. Eu vim para o Brasil e trouxe isso para minhas aulas, ajudava muito, não era essa facilidade que tem hoje, era através de slides. Hoje em dia é tudo fácil, é muito importante, importantíssimo o professor conquistar o aluno. Na minha época havia muito respeito, muito amor entre a relação aluno e professor. Há um detalhe interessante na minha aula. Eu ia pro ginásio ensinar inglês, primeiro ano de ginásio, o aluno pegava o Inglês, uma língua estrangeira, ele nunca tinha visto uma língua estrangeira. No Grupo era só um professor para todas as matérias. Ele chegava no ginásio e pegava sete fisionomias diferentes, sete imagens diferentes: Geografia um professor, História um professor, etc., e ainda tinha uma língua estrangeira. Então no primeiro dia de aula eu brincava com eles, escrevia no quadro: Agora é proibido falar Português, só Inglês. Quando eu fizer a chamada vocês responderão: “I”, ou “I’m here”, “OK” ou “Present”. Se acharem isso tudo difícil vocês respondam: “mengo”. Aí você pode me perguntar porque eu fazia aquilo. Pra facilitar, pro aluno relaxar, trazer o aluno até você e aqueles que ainda não tinham uma definição de clube passavam a ser Flamengo também (risos). Era um clima muito bom. Eles ficavam muito felizes.

Ao lado do então Secretário de Justiça de Minas Gerais, Tarcísio Henriques, de Cataguases.

JAC – O CEFET é uma das grandes conquistas de Leopoldina. O que o Sr. poderia nos contar a respeito da vinda do CEFET?

SF – O Cefet nasceu lá em casa. O pai da criança, o mentor, chamava-se Dr. Alberto Freire, um médico já falecido, de uma família aqui em São Lourenço. O pai dele, Sr. Freire, era um comerciante de lá e compadre do meu avô. O Alberto formou-se em medicina, tinha um amor por Leopoldina. Era muito ligado ao Dr. Clóvis Salgado, então ele veio a Leopoldina, lá em casa, conversar com o Liliu. Eu fui a Brasília algumas vezes montar o processo e nasceu a Escola Parque. A Escola Parque nasceu na época do Dr. Clóvis, ministro da Educação. E foi uma homenagem a ele a implantação da Escola Parque em Leopoldina que foi a primeira Escola Parque no Brasil pra homenageá-lo, projeto do educador Anízio Teixeira. Eu lembro da inauguração da Escola Parque, (Anízio tinha feito um trabalho desse no Nordeste e quando ministro, Clóvis Salgado, convidado pelo JK ao deixar o governo de Minas assumiu o Ministério da Educação e Cultura, deu carta branca pra implantar em todo o país as Escolas Parques. Aí, Leopoldina foi a primeira, daí houve um desmembramento do Centro de Treinamento de Professoras Rurais, que funcionava lá no IDAL, (mesma estrutura física do Cefet), preparando as professoras para o exercício do magistério. Nessa reunião lá em casa, pró Cefet, esteve presente também o Sérgio Benatti, filho do Perseu, participou muito do governo, hoje está em Juiz de Fora, rapaz inteligentíssimo, primo da Valéria Benatti.

Sérgio França, Geraldo Bertochi e Luiz de Melo Sobrinho.

JAC – O que o Sr. poderia falar sobre a Exposição de Leopoldina?

SF – Quando eu falo na Exposição eu tenho que voltar bastante as páginas na história, porque Leopoldina viveu momentos aqui marcantes e históricos, de repercussão sul americana. Eu não recordo exatamente a data, mas em Leopoldina uma vaca de nome Miltona Dengosa bateu um recorde sul americano em tirar leite, recorde sul americano, nenhuma vaca da America do Sul produziu tanto leite como essa Miltona Dengosa, da fazenda do Zequinha Reis, Fazenda Mato Dentro.

JC – Professor, é difícil em uma vida densa como a sua, pedir o que eu vou pedir agora. Conte-nos pelo menos um fato, dentre os vários que o senhor viveu e marcaram a sua vida.

SF – O fato político que vou dizer, foi em uma eleição que o candidato a prefeito era o Alziro Carvalho e o vice Enéas França. Terminado o comício eles foram carregados pelo povo, da praça General Osório até a casa do professor Alziro. Uma apoteose. Essa apoteose trouxe um fator negativo muito grande, que percebemos com o passar do tempo. O adversário ficou impressionado com o que havia acontecido. Havia um comício simultâneo, um na praça General Osório e outro de fronte ao Grupo Ribeiro Junqueira. Então, o nosso comício aqui tinha 3 vezes mais o número de pessoas. Acho que se alarmaram com isso, fizeram novos investimentos, e a coisa foi modificando. Era a época da “cédula marmita”, tinha muita boca de urna, uma confusão incrível. Sinto muita saudade daquela noite. Essa saudade provoca fortes recordações. Consigo ver os dois sendo carregados pelo povo. Esse foi o fato que mais me marcou politicamente.

Durante solenidade no Palácio da Liberdade, em BH, com o governador Newton Cardoso.
Ao lado do governador Hélio Garcia, na Exposição de Leopoldina.

JAC – Em relação à Leopoldina, o Sr. testemunhou os tempos áureos do município. Como o Sr. avalia a Leopoldina de hoje? 

Em primeiro plano: Liliu, Sérgio França, José Aparecido de Oliveira e Tarcísio Delgado.

SF – Hoje acontece um fato interessante. Desci ali pra levar a esposa pra conhecer o Vila Fonte (que foi inaugurado recentemente), o movimento muito grande, o local onde a compra é feita à vista, a dinheiro, depois fomos lá embaixo no Bahamas, um movimento imenso também em dinheiro. Agora, como se explica isso em Leopoldina que não tem uma grande fonte de trabalho? Bom, e compras de supermercado são compras no dinheiro. Se for num sábado nesses supermercados, você pode ver que estão lotados. Você sabe, por exemplo, a capacidade da área de estacionamento, quantos carros abrigam, são 180 carros. Sempre lotado, sempre cheio, e compras a dinheiro. É uma coisa assim, uma interrogação, como vem isso?

Sérgio França entrega uma ambulância ao então prefeito de Leopoldina, Osmar Lacerda França (Liliu).

Leopoldina está se desenvolvendo. Faculdades, tem implantações como a UEMG, eu acho que Leopoldina está se desenvolvendo rápido, voltou a ser um polo educacional, (e isso gera rendimento, restaurante fica cheio, ajuda a economia). Essa área de saúde, um atendimento muito bom, desenvolveu muito. Há um lado também, sem análise política partidária, eu considero muito boa a administração do Zé Roberto, porque a preocupação do Zé Roberto não é com o buraco, a pessoa reclama muito do prefeito, mas o prefeito não vai cuidar de buraco, o prefeito vai lá em BH e Brasília procurar verba, pra poder administrar aqui. Trouxe grandes coisas pra Leopoldina. Por exemplo, ele trouxe o SAMU, que mudou totalmente o perfil de atendimento de emergência de Leopoldina, inaugurou o Corpo de Bombeiros. Eu considero muito boa a administração municipal. Quem tem que verificar os buracos é o secretario, ele tem que verificar os grandes problemas. O prefeito, em Brasília e Belo Horizonte, tem que cobrar dos deputados que receberam votos. Bom, é a maneira que eu verifico, a evolução foi muito grande. O Zé Roberto não é um prefeito que fica dentro do gabinete. 

Sérgio França e Telê Santana. Foto: 15 de julho de 1982, em Leopoldina.

JCM – Muito obrigado pela entrevista. Gostaríamos que o senhor enviasse uma mensagem ao público leitor.

SF – Meus amigos, eu tenho que saudar vocês todos, meus queridos amigos, porque quando eu subo ou desço as ruas em Leopoldina, sou agraciado sempre com sorrisos, então eu sou hoje um homem que possui uma grande fortuna na vida, porque todo aquele que estudou comigo sorri pra mim, e quem não estudou sorri também, por influência de terceiros. Então isso é uma coisa que na linguagem comum se diz “não tem preço”. Desejo a vocês muita felicidade, muita saúde, muita paz, muito amor, muito otimismo, tudo pra tornar uma vida mais fácil, mais fácil, mais fácil. Acreditem e acreditem no bem, marginalizem sempre o mau. Um grande abraço a todos vocês e a nossa amizade está sempre à disposição de todos vocês. Saúde, paz e amor.

Bastidores da Entrevista

O VIGILANTE ONLINE.

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