HORIZONTAL – TOP BANNNER SOL E NEVE, ASAS MOTOPEÇAS & FADECIT
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Liberdade: um texto proibido

OLUNISTAS

Por Orlando Macedo

Primeiro aviso para os leitores: este texto é sobre o “QueerMuseu”. E é um texto preconceituoso.

Vou começar o texto falando sobre uma palavra que eu estava estudando ontem, em um artigo sobre educação. Hermenêutica. Para quem não sabe, e eu não sabia até ontem, é a capacidade de interpretação. A Hermenêutica moderna não se limita ao entendimento do código linguístico (palavras), mas de todo um conjunto de signos intrínsecos na comunicação.

E o meu preconceito é contra todos que criticam o que não entendem. Usando uma metáfora bem ao estilo de Escher, meu preconceito é contra todos que tem algum preconceito. E, sendo duro mais uma vez, vejo que este preconceito vem da absoluta incapacidade de aceitação do outro, do novo e do diferente.

Antes de falar da exposição, vamos falar de música. De sexo e música. A ideia veio da obra História Sexual da MPB, do meu amigo Rodrigo Faour. Ele faz uma análise de toda sexualidade existente na música brasileira. Não, não estou falando de funk, mas roubo algumas linhas aqui antes de continuar para defender o funk. Não gosto de funk, mas, como Richelieu, defenderei até a morte sua existência. E não tem versos mais explícitos no funk que em compositores como Rita Lee ou Roberto Carlos. Porque não vemos então os aldeões com tochas e tridentes gritando “matem a Fera?” Porque não é popular, não dá ibope. A Fera é pequena.

Mas os aldeões acharam uma fera maior. Os Gastons, com seu preconceito medíocre, querem decidir quem vive ou quem morre por ciúme. Por ciúme da arte, talvez. Por ciúme da fama. Por ciúme dos aplausos. Ou pior, por ciúme daqueles que conseguem ser o que são, fogem da vida vulgar, que tem coragem de dar a cara a tapa para a vida, mesmo apanhando de vez em quando. Vou recorrer de novo ao meu autor favorito Neil Gaiman: “Não tenho medo de pessoas ruins, de malfeitores cruéis, de monstros e criaturas da noite. As pessoas que me assustam são aquelas que acreditam estar certas, sem a menor sombra de dúvida. Aquelas que sabem como se comportar e também o que seus vizinhos precisam fazer para ficar do lado do bem.”

Um museu é um espaço reservado. Só entre se você sabe o que vai ver lá dentro. Dispa-se de seus preconceitos e se abra para ideias novas. Toda ideia nova é revoltante e assustadora. A boa arte reproduz a vida de maneira assustadoramente crua. Você pode gostar ou não. As ideias podem ser boas ou não. Mas se te levaram a uma reflexão, a arte fez o seu papel. Você desenvolveu sua hermenêutica, entendeu, julgou e classificou novos símbolos.
A arte não deturpa as pessoas. Pessoas já nascem deturpadas. A fissão do hidrogênio virou bomba e não energia. Os fogos de artifício chineses viraram revólveres. Não é culpa da arte. É culpa do ser humano covarde, que prefere fechar e voltar a caverna a enfrentar seus medos. Fechar uma exposição é retroceder no tempo. Mesmo porque este retrato existe. Temos sim que ler o mundo a nossa volta. Me assusta muito pensar que uma exposição foi fechada. Que digam o que eu posso ou não posso ver. Cerceando minha liberdade. Não, não concordo com pedofilia. Ela existe. É má. Mas é praticada por pais de família, religiosos, pessoas colocadas na sociedade. Aquelas que sabem se comportar. Entende?

Negar não acaba com isso. Um quadro não incita. Reproduz. Ou reflete. Como dizia Nietschze, “Aquele que luta com monstros deve acautelar-se para não tornar-se também um monstro. Quando se olha muito tempo para um abismo, o abismo olha para você.”

E, lembra do Escher? A falta de visão e cognição é tão grande que sequer perceberam que foram responsáveis pelas obras serem reproduzidas a nível nacional. Um agradecimento a estas pessoas. Me fizeram tomar conhecimento destas obras. Muitas bonitas, outras reflexivas e algumas ofensivas. É arte. Fuja da caverna e encare o mundo nos olhos.

FUPAC LEOPOLDINA
FIC CATAGUASES