HORIZONTAL – TOP BANNNER SOL E NEVE, ASAS MOTOPEÇAS & FADECIT
HORIZONTAL – TOP BANNNER SOL E NEVE, ASAS MOTOPEÇAS & FADECIT
HORIZONTAL – TOP BANNNER SOL E NEVE, ASAS MOTOPEÇAS & FADECIT

Luciana Neder entrevista o apicultor Feliciano José Barbosa


ABELHAS

QUE COISA MAIS LINDA, MAIS CHEIA DE GRAÇA.

A BIODIVERSIDADE NA TERRA ACONTECE IMPRESCINDIVELMENTE COM A AÇÃO DESSES ANIMAIS.

As abelhas habitam a terra a mais de 30 milhões de anos, imagina só o quanto ainda se tem para aprender. Entre elas, há as abelhas rainhas que vivem em sociedades super organizadas. Sua natureza é tão perfeita que há os zangões para o acasalamento e as fiéis abelhas operárias que trabalham sem parar, com divisão de tarefas e com harmonia para o bem estar geral da colônia.

  E por falar em trabalhar sem parar, nessa entrevista o Sr. Feliciano José Barbosa (foto em destaque), 82 anos, apicultor, forte, a face corada e com uma disposição de fazer inveja, nos dá a palavra. Ele fala pausadamente com riqueza de detalhes, sobretudo com sabedoria, muito do que já viveu com as abelhas.

Ser humano admirável pela sua história de vida, sempre interessado em saber, conhecer e buscar as fontes que o levam ao aperfeiçoamento. Ele é criativo e dotado de habilidades.

Fui recebida em sua casa como promotora de um evento a quatro pessoas: eu, ele, sua esposa Otávia e seu mais novo amigo e seguidor, Hugo. Ele palestrou. De conversa, foram mais de três horas, só interrompidas para degustações do mel, do iogurte caseiro e de vários doces feitos por ele. Tudo feito com técnica  e ciência . Ele é “referência” na cidade. Dona Otávia, sua esposa, logo se manifestou que o telefone e a campainha tocam o dia inteiro, atrás de mel e própolis. Nunca vendeu no comércio e sempre vendeu tudo o que ainda produz.

   Como tudo começou 
Ele era vendedor, dirigia um caminhão e não gostava nada da vida que levava. Comer em qualquer lugar e vida de estrada não o faziam feliz, até que um dia, ele ouviu a voz do seu coração e decidiu se arriscar como apicultor, sem nenhum conhecimento. Decidiu também se casar. Seguiu sua intuição, que ele chama de voz de Deus e foi adiante, buscando conhecimento e formando sua família de três filhos, Társis, Taís e Tarsiano.

Em 21 de junho, comemora-se o Dia do Mel, delicioso fruto de nossas polinizadoras favoritas. Como o senhor define o mel?
“O mel é produzido a partir do néctar das flores que as abelhas recolhem, transformam, combinam com substâncias específicas próprias, armazenam e deixam madurar nos favos das colmeias. A qualidade do mel está diretamente relacionada á flor. A composição do mel é influenciada pelo solo, clima e pela fonte do néctar. Esses fatores alteram a cor, a acidez, o aroma, a umidade, o sabor, a viscosidade e até o tempo que ele demora para cristalizar. E não para por aí: o mel é o único alimento que inclui todas as substâncias necessárias para a sustentação da vida, como vitaminas, minerais, água e enzimas além de conter um importante antioxidante associado ao bom funcionamento cerebral. OBS: o pólen de flores contaminadas por inseticidas, produz um mel de baixa qualidade, ou seja, um mel que é quase um veneno. Dicas: Mel de garrafa de vidro, tampados com sabugo de milho ou cortiça é inapropriado, ou seja, está contaminado. Mel deve estar em garrafas de plástico de boa qualidade, PET, e deve ser fechado hermeticamente, falou o mestre. Não guardar em geladeira. Não expor ao sol.”

A CONTRIBUIÇÃO DAS ABELHAS VAI MUITO ALÉM DO MEL. NA AGRICULTURA, A APICULTURA É O CAMINHO PARA ATENDER ÀS NECESSIDADES DE POLINIZAÇÃO DOS POMARES E CULTURAS, PARA A PRODUÇÃO DE SEMENTES. ISSO É BIODIVERSIDADE.

    Sem abelha, sem alimento?
“Sim. Se não chove, não há flor. Se não há flor, não há abelha. Se não há abelha, não há polinização. Se não há polinização, não há semente. Se não há semente, não há alimento.”

A POLINIZAÇÃO É COMO UMA MÁGICA NA NATUREZA, É O TRANSPORTE DOS POLENS DO ESTAME DE UMA FLOR ATÉ A PARTE FEMININA DE OUTRA FLOR, ORIGINANDO UMA NOVA FLOR.

As abelhas dançam?
“Sim, a dança é o meio de comunicação das abelhas operárias para informarem a distância e a localização exata de uma fonte de alimento. Há 3 tipos de danças: dança em círculo, dança do requebrado e da foice. A dança em círculo informa sobre fontes de alimento que estão a menos de cem metros de distância da colmeia. A dança do requebrado informa sobre fontes de alimento, que estão a mais de cem metros de distância. Nessa dança, a abelha descreve a direção e a distância da fonte. A dança da foice é considerada uma dança de transição entre a dança em círculo e a do requebrado e é utilizada quando o alimento se encontra a até cem metros da colmeia. Detalhe: a abelha campeira pode interromper sua dança, a curtos intervalos, e oferecer às operárias que estão observando, uma gota do néctar que coletou. Com isso, a campeira informa o odor do néctar e da flor para que as demais operárias partam em busca desta fonte e o recrutamento aumenta de acordo com a vivacidade e a duração da dança. Incrivelmente, dançar é um meio de comunicação, alimenta a alma e faz bem para a saúde.”

Sr. Feliciano dança?
Muito! Adoro dançar bolero.

Uma frase.
“Eu não tenho uma frase que me inspira, eu vivo buscando conhecimento e ainda tenho muito a aprender. “

Um sonho.
“Minha vida é tão corrida, que não tem tempo para sonhar. Na vida nós juntamos coisas e agora, aos 82 anos, estou distribuindo as coisas que juntei: conhecimento sobre as abelhas e sobre a vida. 
Saber sobre a caixa de abelhas e seu manuseio é absolutamente importante.  Eu sou um especialista.”

“É aí que está o diferencial do Sr. Feliciano”, ressaltou Hugo, maravilhado, e disse mais, “ele é ao contrário de quem trabalha de modo arcaico por comodismo. Alguém precisando de orientação é só procurá-lo.” Bem faz o Hugo, que além de estar aprendendo a arte da apicultura moderna, está lendo e traduzindo um livro de apicultura russa escrito em espanhol junto com seu mestre, que já traduziu livros de francês e inglês, para adquirir conhecimento.

É O MOMENTO DE VOLTARMOS O OLHAR PARA A NATUREZA E TÊ-LA COMO NOSSA PARCEIRA. O MUNDO NÃO É SUSTENTÁVEL SE NÃO CUIDAMOS DELE COM BOAS PRÁTICAS DE CONVIVÊNCIA SAUDÁVEL. 

                                AS ABELHAS,
que  coisa mais linda, tão cheia de graça…
 (continua na próxima edição) 

posts relacionados