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Mineira é a primeira mulher a comandar um batalhão de operações aéreas no Brasil

Mineira é a primeira mulher a comandar um batalhão de operações aéreas no Brasil

Major Daniela Lopes tem sob seu comando 43 militares oficiais, dois helicópteros Arcanjo e ocupa um lugar especial na história.

major daniela lopes agencia minasUma mulher em pleno vôo, a bordo de três potentes helicópteros de salvamento, sendo dois modelos AS 350B2 (Esquilo) e um moderno biturbina BK 117 (EC 145), no atendimento a todos os socorros aeromédicos do Estado. A major Daniela Lopes Rocha da Costa, aos 41 anos, cruzou os céus rumo a entrar para a história do país como pioneira no exercício militar, alcançando um dos mais altos postos oficiais do Corpo de Bombeiros Militar de Minas Gerais.

Ela é a primeira mulher a comandar um batalhão aéreo no Brasil, em um feito inédito, tornando-se um exemplo de valorização da figura feminina na carreira profissional militar, em um cenário no qual o aumento do protagonismo da mulher representa conquistas nas políticas e avanços sociais.

No hangar número 7, Corpo de Bombeiros, localizado no aeroporto Carlos Drummond de Andrade, na Pampulha, em Belo Horizonte, cidade natal da major, a mineira transita com espontaneidade entre os 43 oficiais militares do Batalhão Batalhão de Operações Aéreas (BOA).

O posto conta com mais quatro oficiais mulheres e, sob suas ordens, a equipe realiza socorros, apaga incêndios, transporta órgãos, realiza ações humanitárias e comanda a aeronave que serve como uma UTI móvel.

Em entrevista exclusiva à Agência Minas Gerais, na base do BOA, a reportagem reuniu uma equipe completa feminina: a major Daniela Lopes, a capitã Karla Lessa, 36 anos, a médica do SAMU Maria Olímpia dos Reis, 52 anos, e as enfermeiras Mineia Miranda, 44 anos, e Silvia Amélia de Souza Paula, 42 anos, que ocupam os postos necessários para conjuntamente realizar um salvamento (piloto, copiloto, médico do SAMU e enfermeiros do SAMU).

Na ocasião, a major revelou que seu feito inédito e o pioneirismo na cena militar aérea tem dois significados especiais.

” O primeiro é a memória e a conquista de quando abriu o primeiro concurso para mulheres, em 1993, e eu entrei como soldado também como primiera colocada. Assim, pude ver a evolução das mulheres dentro dos bombeiros. O segundo, quando abriu a primeira turma de piloto em 2005, com a nota mais alta entre os colocados para a seletiva de novos pilotos. Agora, volto no comando de uma atividade que sempre me despertou pela possibilidade de salvar vidas”

Major Daniela Lopes Rocha da Costa, comandante do Batalhão de Operações Aéreas de Minas Gerais

ARCANJO CORPO DE BOMBEIROS O VIGILANTE ONLINE
Major Daniela Lopes é a primeira mulher a comandar um batalhão aéreo no Brasil, em um feito inédito, tornando-se um exemplo de valorização da figura feminina na carreira profissional militar.

Ela vai passar a comandar, ainda este ano, mais 13 pilotos que estão concluindo o curso de formação do CBMMG e outras duas novas aeronaves com maior capacidade de socorro. Os modelos B3 – uma versão acima e mais potente que os modelos B2 em atividade -, integrarão o batalhão, que tem sede em Belo Horizonte, e uma companhia em Varginha, no Sul de Minas.

Agência Minas Gerais: O significa em sua trajetória no Corpo de Bombeiros, neste momento histórico, ser a primeira mulher do país a atingir o posto de comandante do Batalhão Aéreo de Minas Gerais?

Major Daniela Lopes: Certamente tem um significado fundamental, eu diria assim. Entrei como soldado, entrei no concurso da primeira turma de mulheres, em 1993, e agora, chegar em uma função superior, no comando de um batalhão de operações aéreas é ter a possibilidade única de ver a evolução da mulher na carreira. Fui soldada, vi de perto o funcionamento do salvamento de vidas ao longo dos meus 21 anos de carreira, algo que sempre me motivou pela gratificação imediata do exercício e o reconhecimento da sociedade da função exercida. Agora sou comandante da unidade, então, isso é muito gratificante. Normalmente o comando é de dois anos na unidade, mas temos muitos outros caminhos para avançar.

Agência Minas Gerais: Como é comandar um batalhão com 43 militares oficiais do Corpo de Bombeiros?

Major Daniela Lopes: É algo muito peculiar, de fato a gente não deixa de ter aquele sentimento de orgulho de ver que a mulher está conquistando cada vez mais espaço na carreira, um lugar que sempre foi nosso e que lutamos ao longo de séculos para alcançar. Ver que nós estabelecemos e estamos avançando é gratificante. Poderia haver mais mulheres, mas as primeiras barreiras já foram derrubadas. A tropa aqui, o batalhão, não percebe o comando de uma mulher como uma diferença, não há este tipo de distinção, pois a profissionalização confere a certificação necessária para o trabalho que realizamos. Esta é uma tropa que eu já tive a oportunidade de conhecer e trabalhar com vários deles, então, eu não sou uma pessoa estranha e isso facilitou a adaptação e o entrosamento entre a equipe.

Agência Minas Gerais: Como está o andamento da expansão do Batalhão de Operações Aéreas?

Major Daniela Lopes: A expansão do BOA é mais um feito em que serei pioneira, pois, nos próximos meses, estarei à frente da ampliação dos serviços do batalhão. No momento temos 13 pilotos em formação, que além dos 43 que trabalham em Belo Horizonte e em Varginha – dos quais quatro são mulheres – integrarão o batalhão. Temos duas aeronaves em processo de aquisição, podendo ser entregues agora nesse segundo semestre e estamos planejando e estudando também uma expansão do hangar – uma possível mudança de hangar para comportar esse aumento da operação. Hangar novo. Novas e mais potentes aeronaves. Uma base novas, dentro do Aeroporto da Pampulha. Então os planos são esses, muita expectativa para 2017, principalmente com a chegada das novas aeronaves. Hoje temos três aeronaves: duas AS 350B2 (Esquilo) que realiza busca e salvamento e combate ao incêndio, além de transporte de órgãos, por ser uma aeronave dinâmica e mais leve e outra BK 117 (EC 145), que é uma UTI móvel e plataforma de observação. Agora, vamos adquirir uma versão um pouco mais potente que temos hoje, uma B2, e vai chegar mais duas aeronaves B3.

Agência Minas Gerais: O que a motivou a investir na carreira de bombeira militar, se tornar piloto e comandar um batalhão de salvamento?

Major Daniela Lopes: Sempre gostei dessa dinâmica de prestar o serviço e ver na hora o reconhecimento do outro. Essa gratificação que sentimos ao executar um trabalho que sempre me motivou. Entrei no Corpo de Bombeiros no serviço operacional porque é um serviço que prestamos e temos esse reconhecimento e gratificação imediata. Depois o curso de piloto foi uma oportunidade de retornar ao batalhão com mais esse desafio porque avançar do posto de soldado para comandar um batalhão é um grande passo. Tudo é possível e as possibilidades não se esgotaram, ainda temos um grande caminho a trilhar.

Incentivo às novas gerações

Outro destaque, a capitã Karla Lessa, 36 anos, foi a primeira mulher a chegar do Batalhão de Operações Aéreas (BOA). A bordo de um helicóptero Schweizer, a oficial realizou um voo de check, que a habilitou na função de Piloto Comercial de Helicóptero (PHC). Bombeiro há 16 anos, a capitão Karla começou a preparação para voar em 2009, quando foi selecionada em um concurso interno para realizar o Curso de Piloto Privado de Helicóptero e Comandante de Operações Aéreas – PPH/COA, no Batalhão de Radiopatrulhamento Aéreo da PMMG.

Ela contou à Agência Minas Gerais suas motivações sobre a carreira, suas memórias de salvamentos e revelou incentivar e apoiar as meninas que querem ingressar no serviço militar:

Agência Minas Gerais: Capitã Karla, você foi a primeira a chegar no Batalhão de Operações Aéreas, o que te motivou a entrar no Corpo de Bombeiros e trilhar essa carreira?

Capitã Karla Lessa: Diferentemente da major Daniela Lopes, que desde a infância andava às voltas com esse desejo, minha trajetória foi ao acaso. Entrei no Corpo de Bombeiros muito nova. Em busca de uma carreira, com 18 anos de idade, prestei vestibular para a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e, em seguida, para o Corpo de Bombeiros. Durante meus estudos e serviço como soldado eu entendi tudo o que o bombeiros fazem e a importância de realizar este trabalho, com o tempo me apaixonei pela profissão. Aí em diante as aspirações só aumentaram. Para ser piloto o primeiro contato que eu tive com aeronave foi no curso de formação de oficiais. Teve um treinamento fora e transportamos uma cadete que havia passado mal, de lá para cá tiveram outras atividades e descobri que a vantagem do batalhão aéreo é o de estar num posto de salvamento, mas agora em um cargo mais elevado, então eu consigo gerenciar e também acompanhar a rotina de perto.

Agência Minas Gerais: O que você diria àquelas meninas que têm o sonho e se espelham na profissão de vocês?

Capitã Karla Lessa: Bombeiro é uma aventura. Salvar vidas é gratificante. A sociedade de forma geral tem um reconhecimento em relação à profissão. Além dessas questões fundamentais, tem várias atividades interessantes que podem ser feitas durante os salvamentos, como treinamentos, exercícios de socorro, rapel e a possibilidade de andar de helicóptero. As pessoas depois de socorridas muitas vezes vêm agradecer. Cada salvamento é uma ocorrência diferente, então não tem nada que é igual, é uma rotina que não tem rotina. E a possibilidade de continuar estudando, de continuar evoluindo e avançar na carreira. Eu vejo muitas vantagens em ser um oficial dos Corpo de Bombeiros e eu espero que cada vez mais mulheres sejam incentivadas e estimuladas a entrar nessa carreira.

Agência Minas Gerais: Há algum caso que tenha marcado sua memória nesta trajetória de 16 anos na corporação?

Capitã Karla Lessa: São muitos os casos marcantes, muitas histórias que se passam, mas me lembro em específico de uma ocorrência que foi realizado para os colegas deste Batalhão dos Bombeiros. Uma vez estávamos entrando em serviço e um caminhão de transporte de combustível se envolveu num acidente automobilístico e quatro oficiais militares se envolveram no acidente. No momento em que a ocorrência foi feita, todos nós da equipe tivemos que nos preocupar em baixar a adrenalina, pois se tratavam de colegas de trabalho e profissionais que seguiriam realizando mais salvamentos. Equilibramos a mente e nos unimos com lucidez, como aprendemos ao longo da profissionalização, para fazer o salvamento. Os envolvidos se recuperaram, o motorista teve uma lesão séria no pé, mas se recuperou. Um outro senhor que estava em um caminhão teve um amputamento traumático na perna, mas depois ele veio no batalhão e agradeceu o atendimento. Nessa ocasião todos nós ficamos muitos emocionados com o reconhecimento pelo salvamento de uma vida e da família que teve um marido, um pai, de volta a casa.

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Agência Minas

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