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QUERIA QUE VOCÊ ESTIVESSE AQUI

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Ninguém quer saber o que fomos, o que possuíamos, que cargo ocupávamos no mundo; o que conta é a luz que cada um já tenha conseguido fazer brilhar em si mesmo. Chico Xavier

Tornou-se um hábito para mim escrever me baseando na letra de uma canção que no momento da escrita me traga a sensação do que quero transmitir no meu texto. Talvez o titulo desse texto leve você leitor a pensar que escreverei sobre a ausência de alguém, sobre saudade, porém pretendo escrever sobre o que a sociedade coloca como paraíso, como o máximo de felicidade, que é a riqueza e toda a fama que alguém pode conseguir e que na minha opinião não passa de inferno, de nada.

Uma analise simples de nosso tempo nos leva a observar o quanto a sociedade se tornou cega, e já não consegue mais diferenciar algo bom de algo que lhes faz mal, que lhes domina.

Os valores de amor, carinho, felicidade, solidariedade e outros ligados a ideais de humanidade vão sendo substituídos por ideais de consumo, de desapego, de indiferença, de violência,  de egoísmo e de riqueza individual que vão construindo na sociedade o ideal de que a pessoa feliz é a que possui riqueza ou fama.

Vivemos o máximo da ideologia do ter sobre o ser. Não importa o que eu seja, e sim o que eu tenho. Lamentável essa ideia, mas ela esta cada vez mais forte em nossa sociedade e vai moldando e conduzindo a vida das pessoas.

ARTIGO ALESSANDRO RUBIM FOTO DIVULGAÇÃOE assim vai se criando uma cultura consumista e individual, que favorece o produto pronto para uso imediato, o prazer passageiro, a satisfação instantânea, resultados que não exigem esforços prolongados e que vão dominando as pessoas e tornando as relações entre os indivíduos cada vez mais egoísta e passageiras .

A promessa de felicidade construída através de bens materiais e da preocupação apenas consigo mesmo vai fazendo as pessoas construírem relações liquidas, transitórias, e vai nos fazendo perder nosso lado humano.

Interessante observar que essa cultura do ter sobre o ser longe de criar pessoas mais seguras, vai criando uma legião de pessoas carentes, homens e mulheres que vão virando coisas, que se permitem a barbárie, a banalização da sua dignidade na busca incessante pelo sucesso, a riqueza, o prazer e o amor (transitório).

A filosofia da ausência do Ser na sociedade faz imperar a mentalidade do dinheiro, onde já não se consegue ser o que realmente se é, onde se é obrigado a, primordialmente, interpretar-se, representar-se, agradar, ser aceito. E nessa busca por aceitação, por agradar, os indivíduos vão se tornando escravos da busca incessante pelo ideal de riqueza e felicidade. Você pode até não ser feliz e rico mas deve nas redes sociais e na sociedade parecer ser.  O amor, que deveria ser a fuga desse individualismo, torna-se parte do caminho pelo qual o sistema nos guia. Cada vez mais comum as pessoas banalizarem tudo, inclusive seus corpos e verem a mais absoluta normalidade nisso. A ausência do ser vai se tornando uma auto ausência e te faz querer muitas vezes se afastar da sociedade.

A verdade é que quando se cede, conforma-se com algo ou aceita-se algo que não agrada-te, por pressão ou por obrigação, está se escravizando, se tornando uma coisa, assumindo a carência e no fundo construindo a sociedade da ansiedade e da depressão.

A momentos, cada vez mais comuns, em que a sociedade só vê o individuo e o qualifica pelas suas roupas, bens materiais  e formas, entre outras banalidades,  assim, não temos rosto, membros e nem expressão. Ora, não é essa a realidade que vivemos? Somos conhecidos, julgados e “curtidos” pelo que realmente somos? Ou somente pelo que fazemos, oferecemos, temos ou vestimos?

É lógico que ter não é um crime, ou algo errado, afinal o homem sempre teve alguma coisa e viver sem possuir qualquer coisa é totalmente impossível. O problema reside numa certa alienação inconsciente. Onde se valoriza mais o ter e se esquece que além dele precisamos ser.

A correria diária não nos deixa parar para perceber se o que temos é suficiente para nossa vida. Nos preocupamos muito em ter: Ou seja, adquirir coisas; Com isso o tempo passa e esquecemos de “viver a vida”, na maioria das vezes para ser feliz não é preciso ter, o importante na vida é ser. As pessoas precisam parar de correr atrás do “Ter” e começar a “Ser”, ou seja, ser amigo, ser amado, ser “gente”.

Tenho certeza que quando somos, ficamos muito mais felizes do que quando apenas temos. Para “Ser” as vezes leva-se uma vida toda para conseguir, já o “Ter” muitas vezes conseguimos logo. O “Ser” não acaba e nem se perde com o tempo, mas o “Ter” pode acabar mais rápido do que o esperado; O “Ser” é eterno, o “Ter” é passageiro.

Como bem define a legendária banda Pink Floyd em sua belíssima Wish You Were Here ( Queria que você estivesse aqui): “Então, então você acha que consegue distinguir o céu do inferno, Céus azuis da dor, Você consegue distinguir um campo verde de um frio trilho de aço? Um sorriso de um véu? Você acha que consegue distinguir? Fizeram você trocar seus heróis por fantasmas? Cinzas quentes por árvores? Ar quente por uma brisa fria? Conforto frio por mudança? Você trocou um papel de coadjuvante na guerra por um papel principal numa cela? Como eu queria,Como eu queria que você estivesse aqui somos apenas duas almas perdidas nadando num aquário ano após ano correndo sobre este mesmo velho chão. O que encontramos? Os mesmos velhos medos. Queria que você estivesse aqui”.

Numa cultura em que o objetivo supremo é o “Ter” e ter cada vez mais, quando os indivíduos não conseguem atingir esse ideal acabam por  criar  uma série de conflitos interiores, falta de harmonia em relação ao corpo, e constante moldagem da imagem perfeita  para si.  O “Ter” quando não alçado faz-se remeter a sérias barbáries a um excessivo rigor com que se impõe ao êxito que não deixa espaço para erros. Para se evitar esse sofrimento e a infelicidade que são conseqüências da falsa ideia de felicidade com o ter é necessário considerar  as condições da existência com o ser, levar a vida com sensatez, agir movido por sentimentos nobres seguindo a premissa de que fomos feitos para ser, não valorizando a vida para as coisas, valorizando a vida que preze a amizade e encontre a paz e harmonia que devem ser o objetivo maior  do ser humano para o bem da própria humanidade. Assim, queria que você estivesse aqui…

Alessandro Rubim Barbosa é advogado.

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