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Sobre Crianças


COLUNISTAS

Por Orlando Macedo

 

 

Aqueles que me conhecem sabem que eu tenho uma predileção para trabalhar com crianças. Este é o motivo pelo qual amo a Semana das Crianças e acho um período especialmente diferente.

Dou aqui algumas razões dentre várias para esta paixão. A primeira razão vem diretamente da profissão que escolhi exercer. A Engenharia, em sua raiz, é a arte de transformar usando os elementos do ambiente. Não existe matéria melhor a ser transformada do que a imaginação infantil. E, tal como materiais, ela tem que ser temperada e conformada no ponto certo para que o lúdico seja estampado de ideias boas, corretas e até mesmo puras e inocentes, que serão carregadas por toda a vida, sobrevivendo até mesmo a metamorfose da adolescência.

Outra razão que dou é filosófica. Todo conhecimento que construímos vem da capacidade de se admirar com as pequenas coisas, de sonhar com o impossível e tornar possível. Citando Lewis Carroll (que, pra quem não sabe, também era matemático), temos que sonhar pelo menos 6 coisas impossíveis antes do café da manhã. A transformação do mundo acontece quando alguém consegue fazer o que todos os outros julgavam impossível.

Por outro lado, também me incomoda muito aqueles que de uma forma ou de outra tentam cercear esta esplendorosa capacidade de criação. Vejo isso acontecendo em dois polos opostos mas com as mesmas consequências desastrosas.

O primeiro polo é o abandono. Não estou falando aqui do abandono de fato, de consequência civil e tratamento jurídico, mas daqueles que abandonam a criança a sua sorte nos fins-de-semana (“- Preciso descansar!”), nas tarefas de escola (“- Pago professor para isso!”), ou mesmo no dia-a-dia (“- Não tenho tempo pra criança!”). A fonte infinita de energia para uma criança é o amor recebido e a segurança de experimentar o mundo sempre com alguém zelando por ela.

No polo oposto existe a superproteção que vem acompanhada de um pacote de tabus pré definidos que vincam o conhecimento do lado oposto. “- Não faz isso que você não consegue.”; “O monstro vai te pegar”; “Papai do Céu vai jogar um raio na sua cabeça!”. Isso é forte para uma criança! Não, não estou falando de brincar com eletricidade. Estou falando dos pequenos desafios que vão empurrando as fronteiras da criança para mais longe, tornando-a mais capaz e segura. Você consegue se lembrar de todos os preconceitos que te impediram de ir mais longe?

Nesta Semana da Criança olhe para seus pequenos como Michelangelo diante do teto vazio da Capela Sistina. Sim, na sua cabeça a pintura já estava ali. Durante uma semana, e depois, por meses e anos você terá que escalar até o teto, deitar sobre uma plataforma e pintar sobre andaimes; a toda hora enfrentar as incertezas de como está ficando a obra. Vai ter que apagar alguns erros e recomeçar algumas partes.

Mas não se esqueça: eles serão sua obra prima

 

FIC CATAGUASES
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