Violência faz 70% das pessoas mudarem hábitos de vida

Violência faz 70% das pessoas mudarem hábitos de vida

Pesquisa da CNI aponta que 80% dos brasileiros já vivenciaram situação de risco.

 Você pode até nunca ter sido assaltado ou vivido na pele um episódio de violência no país. Mas pode ser que você faça parte dos 80% de brasileiros que afirmam terem vivenciado de perto alguma situação de risco nos últimos 12 meses. Isso é o que aponta uma pesquisa da Confederação Nacional da Indústria (CNI), que afirma ainda que 70% das pessoas estão tomando alguma medida restritiva por causa da criminalidade, como evitar andar com dinheiro ou sair à noite, deixar de circular por alguns bairros, além de aumentar a segurança privada e até mesmo trocar de casa ou os filhos de escola.

A pesquisa Retratos da Sociedade Brasileira – Segurança Pública foi feita com 2.002 pessoas em 141 municípios, entre os dias 1º e 4 de dezembro de 2016. Entre os fatos presenciados de perto estão pessoas usando drogas (70%), polícia prendendo alguém (50%), algum cidadão sendo agredido (39%) ou assaltado (32%), além de estar presente em um tiroteio (26%), entre outras.

Das famílias, 40% tiveram algum de seus membros vítima de furto, assalto ou agressão nos últimos 12 meses. Em 2011, 30% das famílias foram afetadas.

Um ponto de destaque é que 27% das pessoas mudaram o modo de se vestir para reduzir o risco de assalto ou de assédio. Há diferença significativa entre os gêneros: 30% das mulheres estão se privando de vestir como gostariam, e 23% dos homens.

O medo da violência altera o modo de vida e impacta no bolso dos brasileiros. Dos entrevistados, 76% contrataram serviços ligados à segurança privada, como instalação de alarmes, grades e trancas, compraram armas ou contrataram seguros contra roubo ou furto.

Além disso, a violência tem impacto na economia. “A violência provoca tanto a perda da qualidade de vida, como da competitividade, ou seja, do desenvolvimento do país. Trabalhadores ficam mais tensos e, com isso, menos focados no trabalho, menos produtivos. As empresas desviam recursos da produção para atividades de segurança. Investidores desistem de investir no país. Como consequência, os produtos ficam mais caros”, afirma o gerente-executivo de Pesquisa e Competitividade da CNI, Renato da Fonseca.

Impunidade e maioridade. A pesquisa constatou que a certeza da impunidade é motivo para o aumento da criminalidade, na opinião de 82% dos entrevistados. Para 75% das pessoas, penas mais rigorosas reduziriam a criminalidade, e 85% defendem a redução da maioridade penal para 16 anos.

NÚMEROS

70% dos brasileiros já viram alguém usando drogas
50% das pessoas presenciou a polícia prendendo alguém
27% mudaramo modo de vestir para prevenir assaltos

MULHERES

Mês soma 10 mil medidas protetivas
Realizada entre os dias 6 e 10 de março por tribunais estaduais e do Distrito Federal, a 7ª Semana Nacional Justiça pela Paz em Casa promoveu mais de 8.000 audiências e julgamento de processos relativos à violência doméstica contra a mulher, resultando em mais de 7.000 sentenças judiciais e 10 mil medidas protetivas.

Segundo o Conselho Nacional de Justiça (CNJ), o Estado que concedeu maior número de medidas protetivas (1.908) foi o Rio Grande do Sul, seguido por Bahia (1.521), Pará (1.432) e Paraná (1.066). O Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP) foi o que realizou o maior número de julgamentos de crimes contra a vida: 19 júris.

Mais de 1 milhão de processos relativos à violência doméstica tramitam na Justiça brasileira. Minas Gerais lidera o ranking com 225.668 processos, seguido de São Paulo (150.387), Rio Grande do Sul (130.428) e Rio de Janeiro (129.328). As informações são da Agência Brasil.

O VIGILANTE ONLINE
Fonte: Jornal O Tempo

Mulheres vítimas de violência doméstica e sexual terão atendimento especial no SUS

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